Antes de assumir um crédito — para a casa, para o carro ou para qualquer outra finalidade —, há um número que devia conhecer bem: a taxa de esforço. É ela que indica qual a fatia do seu rendimento mensal que está comprometida com o pagamento de prestações, e é um dos melhores indicadores da saúde financeira de uma família.
Como se calcula
A taxa de esforço obtém-se dividindo o total das prestações mensais de crédito pelo rendimento líquido mensal do agregado, e multiplicando por cem. Se uma família recebe 2.000 euros líquidos e paga 600 euros em prestações, a taxa de esforço é de 30%. Simples de calcular, mas determinante para perceber a margem de manobra que resta.
Que limite respeitar
Não existe um número mágico, mas há referências amplamente aceites pelos especialistas.
- Até 30%: zona confortável, com folga para poupar e enfrentar imprevistos.
- Entre 30% e 40%: exige atenção; a margem para imprevistos começa a apertar.
- Acima de 40%: zona de risco, onde qualquer sobressalto pode desequilibrar as contas.
Pense no cenário adverso
Um erro comum é calcular a taxa de esforço no cenário mais favorável possível. Num crédito a taxa variável, por exemplo, a prestação pode subir se as taxas de juro aumentarem. Faça as contas admitindo essa subida e uma eventual quebra de rendimento; se a taxa de esforço continuar suportável, está num terreno seguro.
Manter a taxa de esforço sob controlo não é apenas uma questão de aprovação do crédito pelo banco — é uma questão de qualidade de vida. Quanto menor a fatia comprometida com dívidas, maior a liberdade para poupar, investir e dormir descansado.