Quem tem um crédito habitação a taxa variável já viu a prestação mexer sem perceber bem porquê. A explicação está em dois conceitos que convém dominar: a Euribor e o spread. Juntos, formam a taxa de juro que paga ao banco, e compreender cada um ajuda a tomar melhores decisões.
A Euribor: a parte que não controla
A Euribor é a taxa a que os bancos europeus emprestam dinheiro entre si. Varia todos os dias em função das condições económicas e das decisões do Banco Central Europeu. Nos créditos a taxa variável, a prestação é revista periodicamente — a cada três, seis ou doze meses — de acordo com a Euribor do prazo contratado. É a componente que sobe e desce sem que possa fazer nada.
O spread: a parte que negoceia
O spread é a margem fixa que o banco acrescenta à Euribor, e é onde reside o seu poder de negociação.
- É fixo ao longo do contrato: uma vez acordado, não muda com o mercado.
- Depende do seu perfil: risco, rendimentos e valor da entrada influenciam o valor.
- Reduz-se com vendas associadas: domiciliar o ordenado ou subscrever seguros baixa o spread.
Por que importa distinguir os dois
Quando a prestação sobe por causa da Euribor, não há muito a fazer a não ser esperar ou ponderar mudar para taxa fixa. Mas o spread é território de negociação, tanto na contratação como mais tarde, através da transferência do crédito para outro banco. Um spread mais baixo significa menos juros durante toda a vida do empréstimo.
Conhecer estes dois ingredientes dá-lhe uma vantagem real: permite perceber a sua prestação, antecipar variações e identificar quando vale a pena renegociar. Num crédito que dura décadas, esse conhecimento traduz-se em poupanças significativas.