O que fazer com o subsídio de férias e o reembolso do IRS

O reembolso do IRS não é um prémio — é salário que já era seu. Cinco minutos de contas antes de o gastar mudam o resto do ano.

O que fazer com o subsídio de férias e o reembolso do IRS

Junho é o mês em que muita gente recebe o subsídio de férias e, quase ao mesmo tempo, o IRS acerta contas. Para uns chega um reembolso, para outros a nota de cobrança. Nos dois casos a tentação é a mesma: tratar esse dinheiro como se fosse extra, quando na verdade é salário que já era seu. Vale a pena parar cinco minutos antes de o gastar.

O reembolso do IRS não é um prémio

Se a Autoridade Tributária lhe devolveu dinheiro, isso significa que ao longo de 2025 entregou ao Estado mais do que devia — um empréstimo sem juros que fez a si próprio. Não há nada a festejar, mas também não há motivo para o desperdiçar. O destino mais sensato, para a maioria, é reforçar o fundo de emergência: três a seis meses de despesas fixas numa conta a que chegue depressa. Em Portugal, os certificados de aforro continuam a ser a opção mais simples para quem quer guardar sem risco e ainda assim render acima da conta à ordem, que praticamente não paga nada.

Antes de pagar o crédito mais cedo, faça a conta

Quem tem crédito habitação pergunta-se sempre se vale a pena amortizar. A resposta depende da taxa. Com a Euribor a seis meses a rondar os 2 por cento em meados de 2026 — bem longe dos picos acima de 4 por cento de 2023 — as prestações aliviaram para muita gente. Ainda assim, amortizar capital reduz juros futuros. Antes de o fazer, confirme duas coisas:

  • O fundo de emergência já está completo — amortizar e ficar sem almofada é trocar um problema por outro.
  • Não tem dívidas mais caras a render juros, como cartões ou crédito pessoal, que ultrapassam facilmente os 10 por cento.

Se ambas as respostas forem tranquilizadoras, abater ao capital do crédito da casa é das aplicações com retorno mais garantido que existe — poupa exatamente os juros da sua taxa, sem risco e sem imposto.

As férias não precisam de crédito

O erro clássico de julho é pagar a viagem a prestações e arrastar essa conta até ao Natal. Se ainda não reservou, defina primeiro quanto pode gastar sem mexer na poupança e só depois escolha o destino — e não ao contrário. Reservar com algumas semanas de antecedência, viajar fora dos fins de semana e olhar para destinos como o Alentejo ou o interior, onde o alojamento custa metade do Algarve em agosto, faz uma diferença real na fatura.

Um gesto que fica para o resto do ano

Se houver alguma folga depois de tudo isto, vale a pena automatizar uma transferência mensal para a poupança no dia a seguir ao ordenado entrar. É a diferença entre poupar o que sobra — que costuma ser zero — e gastar o que sobra depois de já ter poupado. Vinte ou trinta euros por mês não mudam o seu padrão de vida, mas ao fim de um ano são umas férias pagas sem dever nada a ninguém.