Quem submeteu a declaração de IRS logo no início da campanha, em abril, já deve ter visto o reembolso cair na conta há semanas. Quem entregou mais perto do prazo de 30 de junho está provavelmente ainda à espera, e é natural — a Autoridade Tributária processa os reembolsos por ordem de entrada, não por ordem de urgência, e os valores continuam a chegar às contas dos contribuintes ao longo de julho, agosto e, nalguns casos, até setembro.
Por que o dinheiro demora tanto a aparecer
O sistema automático do Portal das Finanças valida primeiro as declarações mais simples, normalmente as de quem só tem rendimentos de trabalho dependente sem deduções complexas, e é por isso que trabalhadores por conta de outrem costumam ver o reembolso primeiro do que trabalhadores independentes ou quem declara rendimentos prediais. Se ainda não recebeu nada e já estamos em agosto, vale a pena entrar no Portal das Finanças e verificar o estado da liquidação antes de assumir que há um problema — na maioria dos casos é apenas uma questão de fila de processamento, não um erro na declaração.
Vale ainda referir que quem optou pela declaração automática, o sistema pré-preenchido que a Autoridade Tributária disponibiliza a quem tem uma situação fiscal simples, costuma ver o reembolso confirmado mais depressa do que quem submeteu manualmente todos os anexos.
O erro mais comum: gastar antes de decidir
É tentador ver uma notinha extra de várias centenas de euros na conta corrente e deixá-la ali, a somar-se ao saldo do mês, até desaparecer sem se notar exatamente em quê. Acontece com metade das pessoas que recebem o reembolso em agosto, mesmo estando de férias e com despesas mais altas do que o habitual. A melhor forma de evitar isto é decidir o destino do dinheiro antes mesmo de ele chegar — e não depois, quando já se fundiu com o resto do orçamento de agosto.
Três destinos que valem mais do que gastar sem pensar
Primeiro: se tem crédito pessoal ou saldo em dívida no cartão de crédito com juro rotativo, essa é quase sempre a prioridade número um. As taxas de juro efetivas em crédito ao consumo e em cartões com pagamento parcial costumam andar bem acima de 10% ao ano, muito acima do que qualquer depósito a prazo ou certificado de aforro consegue render. Amortizar essa dívida com o reembolso do IRS é, na prática, a aplicação com o retorno garantido mais alto que vai encontrar este verão.
Segundo: reforçar um PPR antes do final do ano, sobretudo para quem ainda não usou o limite de dedução à coleta do próximo ano fiscal. Não é preciso decidir isto em agosto — mas separar já uma parte do reembolso numa conta à parte, em vez de a deixar disponível para gastar, facilita bastante a vida em dezembro, quando a maioria das pessoas só se lembra do PPR na última semana do ano.
Terceiro: se ainda não tem uma reserva de emergência equivalente a três ou quatro meses de despesas fixas, esta é provavelmente a melhor utilização do dinheiro, mesmo que pareça menos imediato do que pagar férias. Uma conta poupança à ordem num banco como o Banco Best ou o ActivoBank, sem comissões e com levantamento imediato via MB WAY, cumpre bem esta função — não é preciso um produto complexo, só um sítio onde o dinheiro fique separado do resto.
- Dívida com juro rotativo: amortizar primeiro, sempre.
- PPR ou poupança de médio prazo: reforçar antes do fim do ano.
- Reserva de emergência: criar se ainda não existir, mesmo que a prestação de férias pareça mais urgente.
E se o reembolso ainda não chegou?
Nada feito, além de esperar — não vale a pena ligar para as Finanças antes de o estado da liquidação aparecer como concluído no Portal, porque na maioria dos casos a resposta será simplesmente para aguardar mais alguns dias. Se a liquidação já apareceu como concluída há mais de duas semanas e o dinheiro continua sem aparecer na conta, aí sim compreende-se contactar a linha de apoio ou confirmar o IBAN registado, porque um erro no número de conta é a causa mais comum de atrasos que se arrastam para além do que seria normal.
Uma coisa que ninguém costuma dizer em voz alta: o reembolso do IRS não é um bónus, é dinheiro que já era seu e que o Estado guardou durante meses sem juro. Tratá-lo como se fosse uma prenda inesperada é onde a maioria das pessoas erra, e é exatamente por isso que decidir o destino antes de o dinheiro cair na conta faz tanta diferença até ao final do verão.