Onde guardar as poupanças em 2026: depósitos, Certificados de Aforro ou conta-poupança?

Com a Euribor a cair, as taxas dos depósitos também descem. Veja como dividir as poupanças entre depósitos a prazo, Certificados de Aforro e conta-poupança.

Onde guardar as poupanças em 2026: depósitos, Certificados de Aforro ou conta-poupança?

Há uns anos, deixar dinheiro parado na conta à ordem não custava praticamente nada — os juros eram quase zero em todo o lado e a diferença entre uma conta e outra media-se em cêntimos. Em 2026 a história mudou. Com a Euribor a recuar dos picos de 2023 e os bancos a cortarem as taxas dos depósitos quase ao mesmo ritmo, escolher onde guardar as poupanças voltou a ser uma decisão que pesa no fim do ano. E é precisamente quando as taxas começam a descer que muita gente comete o erro de não fazer nada, deixando a almofada de segurança a render zero numa conta à ordem.

As três opções que quase toda a gente tem à mão

Para a maioria das famílias em Portugal, a escolha resume-se a três produtos. Não são exóticos, não exigem corretora, e qualquer pessoa os consegue subscrever num balcão ou pelo telemóvel. O problema não é a falta de opções — é perceber qual encaixa em cada parte do dinheiro que se tem.

Depósito a prazo

É o clássico. Bloqueia-se o dinheiro por três, seis ou doze meses e o banco paga uma taxa combinada à partida. A grande vantagem é a previsibilidade: sabe-se ao cêntimo quanto se recebe no fim. A grande desvantagem, em fase de descida de taxas, é que renovar um depósito que termina hoje quase de certeza dá uma taxa pior do que a anterior. Outro pormenor que muita gente esquece: os juros dos depósitos pagam 28% de IRS na fonte (a taxa liberatória), por isso a taxa que o banco anuncia não é a que fica no bolso.

Certificados de Aforro

São dívida do Estado, vendidos pelos CTT e pelo IGCP, e durante anos foram a coqueluche das poupanças familiares. A série em vigor tem a remuneração indexada à Euribor a três meses, com um limite máximo, e paga um prémio de permanência que cresce com o tempo. Têm uma característica que os distingue de tudo o resto: o capital pode ser resgatado praticamente quando se quer, com poucos dias de espera, sem perder o capital investido. Para quem quer liquidez e ao mesmo tempo um rendimento acima da conta à ordem, são difíceis de bater. A contrapartida da indexação à Euribor é óbvia — se a Euribor cai, a remuneração também desce nos meses seguintes.

Conta-poupança

Fica a meio caminho. Mantém o dinheiro acessível como uma conta à ordem, mas paga um juro simbólico que, na prática, raramente compensa face às outras duas opções. Serve sobretudo para arrumar mentalmente o dinheiro — separar o que é para gastar do que é para guardar — mais do que para o fazer render.

Como dividir o dinheiro pelos três (e não ao contrário)

O erro mais comum é escolher primeiro o produto e só depois pensar para que serve aquele dinheiro. Deve ser ao contrário. Antes de subscrever seja o que for, vale a pena separar as poupanças em três bolsos com prazos diferentes:

  • O dinheiro que pode precisar amanhã — a tal almofada para o carro que avaria ou o frigorífico que morre numa sexta à noite. Este fica acessível, em conta-poupança ou em Certificados de Aforro, nunca trancado num depósito a doze meses.
  • O dinheiro com data marcada: o IMI de setembro, o IUC, a viagem de dezembro. Para estes objetivos com prazo conhecido, um depósito a prazo que vence pouco antes da despesa funciona bem.
  • O excedente que não tem destino para os próximos um a dois anos — aqui pode-se aceitar prender o dinheiro por mais tempo para arrancar uma décima a mais de taxa, sabendo que não se vai mexer nele.

Reparou que a almofada de emergência aparece em primeiro lugar e bem longe dos depósitos longos? Não é por acaso. Não vale a pena ganhar mais 0,3% num depósito se depois tiver de o partir a meio e abdicar de quase todos os juros para pagar uma fatura inesperada.

O detalhe que muda as contas: o IRS sobre os juros

É aqui que muita comparação cai por terra. Quando um banco anuncia um depósito a, digamos, taxa bruta anual, está a falar antes de impostos. Sobre os juros incide a taxa liberatória de 28% de IRS. Os Certificados de Aforro também pagam imposto sobre os juros, mas o cálculo do rendimento líquido pode diferir por causa do prémio de permanência e da forma como a remuneração é apurada. Compare sempre taxas líquidas, nunca brutas. Duas ofertas que parecem iguais no folheto podem deixar quantias bem diferentes na conta ao fim de um ano.

Há uma exceção que poucos exploram: quem tem rendimentos baixos pode, na declaração anual, optar pelo englobamento dos juros em vez da taxa liberatória, e em certos casos paga menos do que os 28%. Não serve para todos — para a maioria com escalões médios ou altos, englobar sai mais caro. Mas se o seu agregado teve um ano de rendimentos reduzidos, vale a pena fazer as duas contas antes de entregar o IRS.

O que faria com o dinheiro hoje

Com as taxas em queda, a tentação de trancar tudo num depósito longo para "fixar" a taxa atual é compreensível, mas arriscada para quem não tem a almofada de emergência feita primeiro. Melhor opção: garantir três a seis meses de despesas em Certificados de Aforro ou conta-poupança, líquidos e acessíveis, antes de pensar em prender seja o que for. Evite renovar automaticamente um depósito que vence — basta um telefonema para perceber se o balcão tem uma oferta melhor ou se os Certificados já rendem mais. E não vale a pena andar a saltar de banco atrás de campanhas de 0,1% que duram dois meses; o custo do tempo e da chatice raramente compensa.

Uma taxa de juro a descer não é o fim do mundo para quem poupa. É só o sinal de que convém olhar para onde está o dinheiro parado — e, na maioria das contas à ordem em Portugal, está parado mesmo a render nada.