As subscrições que paga e já nem usa: faça a limpeza antes de agosto

Seis ou sete subscrições de 4,99 € passam despercebidas no extrato, mas somadas pesam. Como fazer a limpeza em meia hora e quanto pode poupar até dezembro.

As subscrições que paga e já nem usa: faça a limpeza antes de agosto
Pessoa a rever subscrições no telemóvel sentada à mesa
Ver todas as subscrições juntas numa lista é metade do trabalho feito.

Há uma despesa que quase ninguém vê quando olha para o extrato no fim do mês, porque está espalhada por pequenas quantias de 4,99 € e 9,99 € que parecem não fazer mal a ninguém. Somadas, são outra coisa. Um agregado familiar português médio acumula com facilidade seis, sete, oito subscrições ativas — streaming, ginásio, aplicações de telemóvel, armazenamento na nuvem, uma ou duas que já nem se lembra de ter ativado. Julho, com a casa mais calma e o ritmo a abrandar, é o mês certo para abrir o homebanking e fazer contas a sério.

Porque é que as subscrições nos escapam

O modelo de pagamento mensal automático foi desenhado precisamente para que não pensemos nele. Quando paga 10,49 € da Netflix ou 6,99 € do Spotify por débito direto, o dinheiro sai sem que tenha de decidir nada todos os meses. É cómodo, mas essa comodidade tem um custo psicológico: deixamos de avaliar se ainda vale a pena. A diferença entre pagar uma vez 120 € e pagar 10 € doze vezes é enorme na forma como o cérebro a regista, embora o valor seja o mesmo. Há serviços que continua a pagar há dois anos e que abriu meia dúzia de vezes. Há o ginásio onde se inscreveu em janeiro com a melhor das intenções e onde foi sete vezes. Nada disto é irracional — é simplesmente humano, e é por isso que precisa de um momento marcado no calendário para travar.

Como fazer a auditoria em meia hora

Não precisa de aplicações complicadas nem de folhas de cálculo elaboradas. Precisa do extrato dos últimos três meses e de meia hora sem interrupções.

  • Abra o homebanking do seu banco — Millennium bcp, CGD, Novo Banco, ActivoBank, o que for — e procure os movimentos com a designação "débito direto" ou os pagamentos recorrentes ao cartão.
  • Anote cada subscrição numa lista, com o valor mensal ao lado. Ver tudo junto é metade do trabalho feito.
  • Marque cada uma com uma de três cores: uso muito, uso às vezes, não me lembro da última vez. A terceira categoria é a que vai cancelar hoje.
  • Não se esqueça das que estão escondidas dentro de outras coisas — a App Store cobra muitas subscrições de aplicações que instalou e abandonou.

O que cancelar e o que manter

Aqui vai uma opinião direta, porque vale a pena dizê-la sem rodeios: cancele já tudo o que está na categoria "não me lembro". Não há decisão a tomar — se não se lembra de usar, não usa. O dinheiro que paga por isso é dinheiro perdido todos os meses.

Nas subscrições de streaming, a melhor estratégia não é manter todas nem cortar todas — é rodar. Em vez de pagar Netflix, HBO Max e Disney+ ao mesmo tempo, fique com uma de cada vez, veja o que lhe interessa e troque ao fim de dois ou três meses. As séries não fogem. Esta rotação sozinha pode poupar 15 a 20 € por mês a uma família, o que dá perto de 200 € por ano.

Há, no entanto, uma armadilha em que muita gente cai por excesso de zelo. Cancelar o seguro, a subscrição de armazenamento onde tem as fotografias todas ou a aplicação de saúde que realmente usa só para "poupar uns euros" costuma sair caro mais à frente. Cortar despesas não é cortar tudo — é cortar o que não dá nada em troca. Uma subscrição de 9,99 € que usa todas as semanas e que lhe dá prazer ou utilidade real não é desperdício; é uma escolha consciente, e essas pode manter sem culpa.

O truque do cartão pré-pago

Para as subscrições que quer experimentar mas em que não confia, vale a pena conhecer os cartões virtuais descartáveis que bancos como o Revolut ou a própria CGD oferecem. Cria um cartão para aquele período de teste gratuito, e quando o período acaba o cartão simplesmente não tem saldo para a cobrança seguinte. Acabou-se o esquecer de cancelar a tempo e ver aparecer 49 € no extrato do mês a seguir. É uma forma de pôr o piloto automático a trabalhar a seu favor, em vez de contra si.

Faça disto um hábito de estação

O problema das subscrições não é cancelá-las uma vez — é que voltam a acumular-se. Subscreve uma aqui para ver um jogo, outra ali para um período de testes, e em seis meses está outra vez no mesmo ponto. A solução que funciona é transformar isto numa rotina de estação: duas vezes por ano, no início do verão e no início do inverno, senta-se e repete a limpeza. Marque já no telemóvel a próxima para dezembro. As pequenas quantias de 4,99 € voltarão a esconder-se — e você já saberá onde procurar.